sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

2019... e o lamento


Certo. Já temos ouvido bastante sobre a gratidão. Sim. Sou muito, muito grata por muitas coisas que aconteceram em 2019.

Mas o que dizer do lamento?

Não estou falando de reclamação, murmuração... estou falando de lamento.
O lamento me parece mais doído e menos leviano.

Esta palavra traz para mim um sentido de contemplação da dor, de encontro com a tristeza. Traz uma carga de realidade que não pode ser ignorada. Tem as cores do arrependimento e do pesar. O dicionário amplia o conceito, insere a poesia, a tragédia, o clamor.

Mas por que pensar no lamento em plena época de festas? O que se busca é olhar para trás com gratidão e para a frente com esperança. O lamento, ainda assim, tem o seu lugar.

É tão importante que há um livro na Bíblia dedicado apenas ao lamento[1]. E com ele, eu aprendo a lamentar... e descubro que a canção começa com notas tristes, menores, fúnebres. Ali está a dor nua e crua. As perdas, as vestes de luto, o desespero. Não vamos fingir que estas coisas não existem. Vamos encará-las. Vamos absorver a dor. Vamos reconhecer que erramos, que erraram conosco, que nem tudo aconteceu como sonhamos e planejamos.

Lendo o livro de lamentações eu aprendo que Deus não me chama para fugir da realidade, entrar num transe e fingir que tudo é perfeito. Mas sou desafiada a olhar para a dor, quem sabe devagar, aos poucos, e reconhecê-la como parte da minha vida.

Uma parte temporária, mas real.

Eu aprendo também que no meio disso tudo, há lugar para a esperança. E que é bom e necessário trazê-la à memória – bem no meio do canto de lamento. E recordar que Deus não muda, que Ele é bom, que sou amada por Ele e que a sua misericórdia é a causa de não sermos consumidos.

Após esta pausa, este olhar para a luz, eu posso novamente contemplar a dor. Ela está ali, mas não é palavra final. Não é ela que me define. Eu já não sou uma vítima. Não será o lamento minha única canção. E, no fim de tudo, eu termino com mais uma nota de esperança. O dia virá em que Ele porá sobre os que estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto e veste de louvor em vez de espírito angustiado[2].

Isso tudo me faz pensar e querer convidar você a usar este tempo propício à reflexão, para lamentar também. Não há problema nisso. E ao lamentar, siga um caminho seguro: olhar a dor, olhar o Amor, olhar a dor novamente à luz do Amor, contemplar o futuro com Esperança... e nunca, jamais, perder a Fé[3].

Nane.


[1] A leitura dos apenas 5 capítulos do livro de Lamentações ajudará a leitura a fazer mais sentido a você.
[2] Isaías 61:3.
[3] 1 Ts 1:3

quinta-feira, 28 de março de 2019

Vimos o mar se abrir... e esquecemos.


Depois de três décadas de vida cristã, a gente começa a tirar algumas conclusões. Uma delas, para mim, é que somos submetidos, continuamente, ao “Teste de Confiança”.

Preste atenção: em qualquer situação da vida, mas em especial naquelas mais difíceis, se você observar bem, especialmente aquela realidade que “os olhos não podem ver”, há uma frase, uma mensagem, um convite que se repete. “Confie em mim”.

Mas quem repetidamente nos diz isso, não é ninguém menos do que o Pai.

E por que é tão difícil confiar? Já não vimos coisas maravilhosas acontecerem? Não temos testemunho de livramentos, bênçãos, consolo, provisão e cuidado?

Não vimos o mar se abrir diante de nós?

Nos últimos meses tenho lido sobre a história de Israel. Quem não fica indignado ao ver a rebeldia do povo, mesmo depois de ter testemunhado as 10 pragas, o mar se abrir, a coluna de fogo, a grande nuvem, o maná... e por aí vai? Seja sincero: você já não se pegou pensando que “se tivesse visto tantas maravilhas”, cheias de efeitos especiais, seria um crente mais fervoroso?

Pode ser que tenha pensado isso. Mas se continuou pensando... e lembrando... terá que admitir que você não é muito diferente daquela gente. Sim, eu sinceramente tenho dúvidas se seria mais crente se tivesse testemunhado aqueles sinais incríveis.

“Como vocês custam a entender e como demoram a crer...” (palavras de Jesus, em Lucas 24:25). E assim, nosso coração se endurece, a dúvida toma conta, o desespero, a busca por resolver as coisas na força do nosso braço... e vivemos momentos de cegueira espiritual, feito barata tonta, como se Deus fosse abstrato demais, distante demais, inacessível ou simplesmente distraído.

É incrível nossa capacidade de esquecer quem Deus é, e pior ainda, quem Deus é para nós. A incredulidade definitivamente é como um fermento, basta um tiquinho lá na alma pra nos contaminar por inteiro.

É por isso que precisamos tanto uns dos outros. Precisamos de alguém que nos fale: “confia em Deus”. Precisamos das músicas que nos tragam à memória o que nos dá esperança. Precisamos nos congregar e ser lembrados, de novo e de novo, de tudo o que já esquecemos. Precisamos parar tudo e olhar nos olhos de Jesus. E então, ouvir sua voz, vê-lo partir o pão, reconhecer que Ele está aqui, que não nos deixou. E sim, que PODEMOS CONFIAR.

Nane.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

QUERO FALAR SOBRE DINHEIRO


Os candidatos a um cargo público fizeram o registro de suas candidaturas e declararam seus bens. Ao ouvir os valores, bate uma sensação estranha: uau! Nem sei o que isso significa...

A verdade é que enquanto muitos ao meu redor reclamam da falta de dinheiro, e cada novo desafio financeiro parece estremecer a alma e os ossos, há outro tanto que não está sofrendo assim. Nem estou falando de políticos ou pessoas ricas. Será que entre nós não existem aqueles que têm recursos suficientes para si mesmos e para ajudar os que não tem? Muitos acabam endividados não porque têm pouco dinheiro, mas porque gastam muito para manter um padrão de vida elevado. E nem percebem, porque todos ao seu redor fazem o mesmo.

Estou pensando nessas coisas porque recentemente li vários textos na Bíblia, quase que “por acidente”, que falavam das mesmas coisas. Aquele princípio do “maná”, em que todos recolhiam o tanto que precisavam. Não ia faltar nem sobrar pra mim, mesmo que as quantidades fossem diferentes. Então a igualdade não está no valor absoluto do que cada um tem, mas em não sobrar para uns e faltar para outros. Vemos isso na igreja primitiva em Atos, e vemos Paulo repetindo estes princípios aos coríntios quando os desafiava a doar para ajudar os irmãos judeus pobres de Jerusalém.

Sabemos que Deus é generoso e que Jesus se esvaziou de sua glória e se fez pobre para nos alcançar. A Bíblia não proíbe a riqueza material, mas desafia os ricos a serem generosos. É engraçado, mas tenho visto mais pobres generosos, do que ricos generosos.

Fica aqui meu desabafo e meu desafio. Se você tem o suficiente para compartilhar, compartilhe. Não consuma tudo sozinho. Não deixe sobrar, enquanto está faltando para o seu irmão do lado. Nem precisa ir muito longe, com certeza tem alguém perto de você precisando da sua generosidade.

É isso aí!
Nane.

sexta-feira, 9 de março de 2018

A tentação de duvidar


Na devocional de hoje, em determinado momento, comecei a fazer a oração do “Pai Nosso”. Ao orar “não me deixes cair em tentação”, pedi ao Senhor que me livrasse da tentação de duvidar de sua bondade e amor. Essa é a pior tentação – a que Satanás usou contra Jesus, procurando trazer dúvida sobre a palavra do Pai, que afirmou em alta voz que Ele era o seu Filho Amado, em quem tem prazer.

Pedi então ao Espírito que mantivesse meus olhos abertos para não perder de vista que Jesus me ama muito, incondicionalmente, e que eu posso confiar na fidelidade dEle, em sua bondade, poder e caráter.

Minha mente deu um salto e lembrei do jovem Davi. Com certeza ao enfrentar Golias, ele não estava confiando no seu estilingue! Ele acreditava piamente no Senhor dos Exércitos, e achava de fato um grande desaforo que aquele “incircunciso” estivesse desafiando o povo de Deus. 

Mas ele não teve que enfrentar apenas o gigante. Davi era um garoto que ninguém botava fé: um dos seus irmãos já tinha implicado com ele, dizendo palavras ásperas quando ele apareceu lá no campo de batalha levando a marmita. Ele era apenas um caçula esquecido no campo, cuidando das ovelhas, enquanto o pai apresentava os outros filhos “robustos” ao profeta Samuel. Mesmo assim, Davi acreditava tanto em Deus que já havia vencido um urso e um leão, de forma que para ele não seria diferente vencer o novo desafio – o gigante.

Davi não caiu na tentação de se apegar à opinião pública – ao desprezo da família, à sua aparência “bela” de um caçulinha “café com leite”, à ausência de armadura ou aparatos de guerra, à fragilidade de um estilingue, ao status de pastor de ovelhas, ao medo que o gigante causava em todos. Ele simplesmente acreditou radicalmente no poder de Deus, na sua aliança com seu povo, no seu caráter imutável.

Talvez por isso Davi era um homem segundo o coração de Deus. Sua pureza em simplesmente crer foi o que o justificou. Esta fé foi provada, depurada no fogo, teve altos e baixos... mas foi o que deu vitória a ele, até o fim de sua vida.

“E esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé”. (1 João 5:4).

Nane.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Sou mais do que isso

Todos nós temos algumas características marcantes.

A minha é a “organização”. Há muitos anos comecei a ouvir “piadas” sobre isso, afinal, na nossa cultura, ser organizado é quase um “defeito”. Recebi o rótulo bem cedo, e com ele adjetivos de todo tipo: “a Eliane é 4x4, muito competente, super organizada, inflexível, faz tudo com excelência, tudo precisa sair como o planejado, vixe ela vai dar bronca”, etc.etc.

Um dia eu tive que aceitar o fato e aprender a me aceitar assim, retendo o que é bom nos comentários e deixando pra lá o que não me ajuda em nada.

Mas sabe... eu sou mais do que isso. Muito mais!

Os rótulos ajudam um pouco e atrapalham muito. Quando identificamos um traço forte em alguém e colocamos um rótulo invisível na testa da pessoa, ficamos aliviados. Sabemos o que esperar, como agir, ouvir, falar. Queremos previsibilidade. Isso é bom – mas é assim que surgem os estereótipos.

Os rótulos atrapalham muito porque nos deixam cegos para todo um universo misterioso que cada ser humano é. Sim, eu sou organizada em geral... mas também tenho minhas gavetas caóticas, meus arquivos embaralhados, meus processos confusos. Aliás, eu sou confusa. Não me peça para improvisar, ou talvez, só um pouco. Estou aprendendo ainda. Minha organização fala muito sobre minhas necessidades, compensações, busca de equilíbrio interno.

Eu sou organizada, mas também sou prolixa. Sou insegura e ansiosa. Sou muito carinhosa e carente. Tenho uma capacidade quase doentia de ser empática. Sou dramática. Sou apaixonada por Jesus. Adoro aprender e descobrir. Amo divagar, e por sinal sou meio lerda e muitas vezes estabanada. Detesto início de festas, adoro o finalzinho – queria que não acabasse nunca. Mas não gosto de organizar festas. Adoro conversar sozinha e rir de mim mesma. Tenho a tendência a idealizar, fantasiar. Sou desligada com aniversários. Não posso fazer torrada porque elas sempre queimam. Não sabia cozinhar, e agora já sei fazer muitas coisas deliciosas. Nunca sinto que tenho a idade que tenho. Quero terminar bem – com saúde no corpo, na mente e no espírito.

Este post está meio “egocêntrico” e já digo que não sou assim. Embora eu goste muito de descobrir quem eu sou e no que estou me tornando. Mas tenho dificuldade com quem faz muita propaganda de si mesmo.

Resolvi dizer estas coisas só para chamar atenção pro fato de que as pessoas são MUITO MAIS do que os rótulos que colocamos nelas. Cuidado. Cada ser humano é um oceano infinito de possibilidades. Pense nisso!

Nane.

"Os propósitos do coração do homem são águas profundas, mas quem tem discernimento os traz à tona". Provérbios 20:5

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Por que toda essa carência, se você tem a mim?


Foi mais ou menos isso que Elcana disse para Ana, que tanto sofria por não ter filhos: "Ana, por que você está chorando? Por que não come? Por que está triste? Será que eu não sou melhor para você do que dez filhos?" (1 Samuel 1:8)

Qualquer mulher facilmente vai entender o sentimento de Ana... dizemos logo assim, “ah, mas não é a mesma coisa...”.

Sim, Ana tinha um marido que a amava, mas ela queria filhos... não é a mesma coisa.

Mas o que dizer das Anas que têm o amor dos filhos, mas não de um marido? Elas se sentem “completas”?

Fico pensando como foi mais um Dia dos Namorados para aquelas pessoas que “sofrem de amor” ou com a falta dele. Como será que fica, ver na internet tantas declarações maravilhosas... Realmente as redes sociais têm um lado “sado-masoquista”, é melhor usar com moderação...

Se não temos marido (ou esposa), queremos alguém que nos ame. Se não temos filhos, queremos mais do que tudo. Se temos as duas coisas, queremos que sejam melhores. Ou um emprego melhor. Ou uma casa. Ou mais dinheiro. Sim, nós já temos muitas coisas, mas somos sempre carentes.

Se o gênio da lâmpada mágica aparecesse, será que teríamos apenas 3 pedidos?

Assim como Elcana perguntou para Ana, acho que Deus pergunta pra nós: “será que eu não sou melhor para você do que...?”

Temos a Deus, e isso não é o bastante? Sim, não é a mesma coisa... “é bom que o homem não fique só”. Porém, muitas vezes, reclamamos demais. De barriga cheia.

Só quero que responda a esta pergunta, imaginando que Jesus está olhando nos seus olhos: “por que toda essa carência, se você tem a Mim?”

Não precisamos ir a Jesus só quando não temos mais nada – ou mais ninguém. 
Infelizmente, só descobrimos que Ele é tudo o que precisamos quando chegamos ao fundo do poço. Mas antes, hoje, enquanto simplesmente nos lamentamos em nossas carências, que tal recebermos seu amor, seu afeto, sua graça, sua bondade, sua abundância? Que tal lamentarmos nos seus braços e experimentarmos o consolo que ninguém mais pode nos dar? Que tal sermos surpreendidos por sua alegria, e pelas “delícias perpétuas” que há em sua presença?

Chega de tanta carência. Temos Jesus!

Nane.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

O primeiro dia do resto de nossas vidas

Amo esta expressão!

Como ela me enche de esperança. E como ela é verdadeira!

Certo dia eu estava na academia, me debatendo em mil pensamentos enquanto fazia meu exercício aeróbico. E então me veio à mente a lembrança do perdão de Deus.

Que verdade poderosa!! Que revolução! Eu pedi perdão mais uma vez ao Senhor pelos pecados que me afligiam, os meus e os dos outros (que me afetavam). Então o Senhor me lavou! Ali mesmo, no meio da academia, senti a incrível presença de Jesus me assegurando: “Eliane, eu te perdoei! Eu passei uma borracha em tudo, você está absolutamente zerada! Apaguei! Não há dívida alguma!” Uau!! Eu pensei: este é o primeiro dia do resto da minha vida!



E não é assim mesmo a cada manhã? As misericórdias do Senhor se renovaram e são derramadas sobre nossas vidas. Deus nos espera desejando nos perdoar, nos redimir, lavar nosso coração, nos tomar de novo pela mão, nos conduzir. Não preciso ficar remoendo o passado, cabisbaixa, desanimada, abatida. Mesmo que o coração ainda esteja doendo das “pancadas da vida”, é um novo dia, literalmente um novo dia!

Aprendi na vida que recaídas são comuns na caminhada. Os pequenos fracassos apenas apontam que não fomos completamente transformados, que estamos “em obras”. Precisamos mudar nosso jeito de olhar as coisas e buscar em Deus força pra continuar crendo, pra levantar de novo, de novo, de novo. 
É muito pior ficar caído.

Aprendi também, nas minhas leituras em Coaching, que quando um plano de ação (passos traçados entre uma sessão e outra) não é plenamente cumprido, precisamos fazer algumas perguntas pra entender melhor o que está acontecendo: “estamos realmente motivados e comprometidos com a mudança? Que obstáculos surgiram e como posso me prevenir da próxima vez? Vale a pena tentar de novo?”. E quando a gente chega à conclusão de que precisa tentar mais uma vez, o certo é simplesmente “resetar” e recomeçar. Reprogramar a rota dali mesmo onde parou, respirar fundo, e colocar o pé na estrada. De novo.

Melhor do que ficar se lamentando em relação ao que passou, é refletir nas lições que a experiência nos trouxe, provar do perdão e misericórdia de Deus, “zerar o contador”, tomar fôlego e fazer deste o primeiro dia do resto da nossa vida!

P.S.1:  Se esta mensagem ajudou você a se animar e retomar algum projeto importante que havia desistido, ou então buscar e tomar posse do perdão de Deus para a sua vida, passe adiante! Leve encorajamento a quem estiver precisando.

P.S.2: Se você precisa de encorajamento em especial para algum projeto importante da sua vida – uma mudança, um alvo, uma decisão – o Coaching é o ambiente ideal para isso. Vamos caminhar juntos?

Fale comigo!

www.nanecoach.com

segunda-feira, 7 de março de 2016

Chega de desculpas!

Tenho meditado nos livros proféticos nos últimos meses. Às vezes a leitura fica difícil, pesada...mas ela tem me ajudado muito a entender o coração de Deus.

O Gerson Borges fez uma canção chamada “A chave é a oração”, e ela diz, “eu vi o coração de Deus...é uma chaga aberta”. Talvez você nunca vá entender direito o que esta frase diz até ler e meditar nos profetas.

Lá uma realidade se coloca visível e implacável diante de nós: a humanidade pecou e, mais particularmente, o povo de Deus, Israel. E ali podemos ter uma clara dimensão da forte ira de Deus contra o pecado do seu povo.

Deus poderia ter pensado: “coitados, são criaturas caídas, já nasceram assim. Pecadores não sabem fazer outra coisa senão pecar. Eles não têm opção, preciso dar um desconto. É assim mesmo, deixa prá lá!” Não!

Deus não deu desculpas ou justificativas para o pecado de Israel – e o meu, o seu, o nosso pecado. Ele não coloca panos quentes.

Pintura do profeta Jeremias feita por Michelangelo


Nos livros proféticos, vemos que o coração de Deus é uma chaga aberta. Deus sofre, se queixa e chama insistentemente ao arrependimento. Da perspectiva de Deus, só existe um jeito: o arrependimento profundo e a graça do perdão.

Parte de sua ira foi derramada sobre a nação de Israel, mas TODA a sua ira foi derramada na CRUZ DE CRISTO, nos dando a chance de ser poupados, através do arrependimento.

Mas Deus não dá desculpas ao pecado, não releva, não minimiza.

O remédio está diante de nós: 
                   reconhecimento,
                   arrependimento, 
                   confissão,
                   invocar a cruz de Cristo, 
                   receber perdão, 
                   ser poupado – perdoado
                   e viver!

Chega de desculpas.

Nane.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Dois jeitos de esperar

“Esperança que se adia, faz adoecer o coração (...), mas os que esperam no Senhor, renovam as suas forças”.


No livro de provérbios encontramos sabedoria para a vida – fruto do olhar observador de Salomão, que descrevia as coisas “como elas são”. Quem nunca se sentiu adoecer por dentro numa espera por algo que nunca acontece? Quem é capaz de negar o fato de que um desejo cumprido traz um alívio e refrigério para o coração como nada é capaz? É isso o que nos fala Provérbios13:12.

Mas caminhando pelas páginas da Bíblia, mais à frente, encontramos outro jeito de esperar: os que esperam no Senhor RENOVAM suas forças (Isaías 40:31). 
Existe algo novo aí!

Esta espera não é angustiante, ansiosa e frustrante. 
Estar no Senhor é alegria, paz e descanso.

Esperar no Senhor é confiar, e esta confiança nos fortalece. A espera por si só é monótona e vazia – ou então, repleta de ansiedade. Contempla-se o futuro tentando inutilmente alcançá-lo. O futuro é algo que apenas se vê com os olhos da imaginação, mas não pode ser tocado. E algumas vezes, nem sequer somos capazes de ver... mas, por tanto querer, nossa energia se vai naquilo que não temos controle nenhum.

Esperar NO Senhor é viver o tempo presente num lugar de delícias[1], sabendo que o futuro se abrirá diante de nós naturalmente. A longa caminhada é feita um dia de cada vez – seja voando, correndo ou andando. Em cada um destes dias, estamos NO Senhor, com os olhos fitos nele, confiando nele, nos entregando à sua vontade, na dependência dele.

Então, o Senhor não nos deixa faltar nada. O renovar das forças está em desfrutar de suas misericórdias que se renovam a cada manhã. É começar o dia sabendo que Deus já estava trabalhando, e simplesmente “entrar de carona” no trabalho dele. É saber que pouca coisa depende de nós e colocar todo fardo aos seus pés. E depois, tomar o fardo leve e o jugo suave de Jesus [2]. É abrir mão das paixões que nos deixam agitados e ansiosos, e nos render à vontade de Deus, como uma criança num sono profundo nos braços do Pai.

Esperar NO Senhor é viver um dia de cada vez mergulhados em Sua Presença, nos alimentando de Sua Graça e desfrutando do Seu Amor.

Isso é o que Deus nos oferece hoje. 
E você: vai simplesmente esperar...ou esperar NO SENHOR?

Gostaria de terminar deixando aqui uma música que tem sido minha companhia nos últimos meses...não deixe de ouvir! Clique aqui: TUDO PASSA



[1] Salmos 16:11.
[2] Mateus 11:29,30.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Resiliência

Hoje cedo de manhã me deparei com ela. Esta orquídea-bambú incrível.


Lembro quando ela quebrou. Como fica bem pertinho do portão, deve ter sido esmagada numa das vezes em que ele se fechou. Na hora não parei para “podar” a parte quebrada e fui deixando. Algum tempo depois vi uma flor brotando no galho quebrado.

Lembro-me da música que virou “hit” de um jeito que não faz jus à sua letra tão forte: “nos galhos secos de uma árvore qualquer, onde ninguém jamais pudesse imaginar, o Criador vê uma flor a brotar”.

A primeira vez que ouvi a palavra “resiliência” foi na faculdade. A Wikipédia define assim: “Resiliência é um conceito oriundo da física, que se refere à propriedade de que são dotados alguns submateriais, de acumular energia, quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura”. A psicologia pegou emprestado este termo para se referir à capacidade que algumas pessoas têm de suportar situações adversas, sem “quebrar” o seu equilíbrio psicológico.

Parece que algumas pessoas são dotadas deste “material” especial. Mas a verdade é que a maioria de nós se sente muito mais fraco que isso. Aqui e ali “quebramos” e parece que a coisa não vai mais voltar ao lugar.


Poderia aqui ficar dizendo que “temos que ser resilientes” e tal... sim, até temos que ser. Mas às vezes não somos. Tenho descoberto – através da dor e de lutas sem fim – que só existe uma fonte segura de “força”. Deus.

Então me apego a Ele: elevo ao Senhor a minha alma. Penso no seu Amor por mim. Choro. Clamo o seu socorro. À luz de sua santidade, descubro quem sou. Me arrependo. Ele me perdoa. Me aconchego em seus braços e durmo. Acordo no outro dia ainda sentindo as dores das pancadas da vida – situações muitas vezes criadas por mim mesma. Mas com uma nova esperança! A vida de Deus começa a fluir dentro de mim. Percebo que Ele não espera que eu tenha forças para enfrentar minhas batalhas. Ele me convida a viver através dEle. Ele me convida a descansar, mesmo quebrada.

Então eu creio que esta singela flor, que brota onde ninguém jamais pudesse imaginar, é o símbolo da minha esperança nAquele que faz fluir a vida por canais minúsculos, imperceptíveis para quem só vê o exterior. Não há limites para o que Deus pode fazer.

Este é o Deus que “mantém a minha lâmpada brilhando; o meu Deus transforma as minhas trevas em luz” (Salmo 18). A Ele toda a glória!

Nane.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Começar de novo... e sempre!

Hoje fui à academia depois de 6 meses parada. Como é difícil recomeçar!

Apesar de ter parado por motivos de força maior, eu me conheço e luto com minha inconstância em diversas áreas da vida. Como eu gostaria de ser menos complicada e simplesmente fazer o que tenho que fazer! Mas é isso... sou humana.

Nesta manhã orei a Deus e agradeci, com toda a minha alma e com lágrimas, Sua infinita paciência comigo. Pois não é só a academia – o que dizer do meu tempo devocional, dos planos de orar em família, ou mesmo das leituras que desejo fazer? Coisas que são importantes e que começo bem, para depois de algum tempo perceber que deixei de lado. Não seria ótimo que nosso gráfico de desempenho nesta vida não tivesse os altos e baixos que temos que, relutantemente, admitir? Quando são situações que fogem ao nosso controle, podemos encontrar um meio de nos consolar. Mas quando os altos e baixos são reflexo de nossa falta de disciplina e constância, nossa tendência é lamentar, evitar o assunto ou simplesmente desistir!

Então, a esta altura da vida, o melhor que posso fazer é parar de me lamentar e aceitar que preciso simplesmente recomeçar. Ficar parada me fez regredir – isso é fato – mas não fazer mais nada é ainda pior. Vamos lá, começar de novo!


Se é difícil perseverar naquilo que quero e devo fazer, que o Senhor me ajude a perseverar na capacidade de recomeçar. Sua misericórdia e graça generosa me dá ânimo e coragem para voltar de onde parei, dar a mim mesma mais uma chance, e não desistir. Afinal, Ele ainda não desistiu de mim.

Então, vamos em frente, de novo, sempre!
Nane.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Me dá mais uma chance?


Ixoras laranja plantadas em frente ao muro
Eu amo flores. Não que eu saiba cuidar direito delas, ainda estou aprendendo. Chegando à minha casa hoje tive um desejo irresistível de tirar algumas fotos das ixoras laranjas plantadas ao pé do muro da frente. As flores em breve vão abrir, vai ficar lindo! Aí eu resolvi reparar melhor num dos pezinhos que vai florir. Lembro que há algum tempo atrás ele estava muito doentinho, bem feio mesmo. De um jeito que já me fez arrancar outros, com a conclusão de que “não vingou”. Aliás, estou descobrindo com tristeza que quando nós plantamos mudinhas, nem todas vão sobreviver. Mas como não tinha morrido totalmente, eu joguei “remédio”, adubei, dei mais uma chance. E a plantinha que parecia condenada, está agora verdinha, e em breve as florzinhas estarão abertas, brilhantes, lindas!

Esta plantinha um dia esteve bem fraquinha,
cheia de pragas, parecia que ia morrer... olha como está!

Isso me fez lembrar uma parábola que já tinha lido na Bíblia. Da figueira estéril que ia ser arrancada... mas recebeu uma nova chance. Está em Lucas 13:6-9. Gosto muito desta história! Já tinham se passado 3 anos e nada de frutos! Mas uma pessoa cheia de misericórdia disse: vamos cavar ao redor, adubar, e esperar para ver se agora vai!

Refletindo nessas coisas, examinei meu coração. Penso que hoje sou mais cética. As feridas da caminhada hoje me fazem vibrar menos, duvidar mais – de pessoas, relacionamentos, situações que parecem “estéreis”. Mas quando olho mais fundo em meu coração, vejo que a esperança ainda está lá. A chama não apagou. E penso que eu posso, sim, dar mais uma chance. Chance adubada com a graça e regada com orações.

Porque a história da mudinha de ixora é também a minha história. Eu recebi mais uma chance. Hoje quando acordei, o Senhor teve misericórdia de mim, e me recebeu com um sorriso. Ai de mim se não fosse assim. Eu preciso desta chance todos os dias. E ao recebê-la, peço a Deus que me ajude a passar adiante este gesto de graça e, quem sabe, desfrutar da alegria de ver viver de novo aquele que já estava morto (Lucas 15:32).

Nane.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A primavera entrou na minha casa - parte final

A mãe sabiá e seus dois filhotinhos, que cresceram rápido
e já não estavam mais cabendo no ninho!
Depois da última história do sabiá assustado que construiu seu ninho na viga da varanda da minha casa, várias pessoas me disseram que gostariam de saber o resto da história. Bom, eu quase virei uma cinegrafista do “National Geographic Channel” sempre de olho tentando capturar as melhores imagens. Fui acompanhando o ninho e de repente lá estavam os 2 filhotinhos. Não podia chegar perto, que a mãe sabiá voava pra longe... mas pouco depois voltava, ia para o muro, e mais um pouco já dava para vê-la no ninho, alimentando os filhotes. Muito legal!
Eles cresceram bem rápido. Ontem eu olhei e pensei: já não estão cabendo muito neste ninho. Dito e feito. 

Foto tirada atrás do vidro: agora um
dos filhotinhos estava
na frente de casa, piando
assustado e sozinho!
Hoje ouvi o piado de um deles, na frente da casa. Fui verificar na varanda de trás, e o ninho estava vazio mesmo. Era um dos passarinhos, bem fofinho – pois é, não sei onde o outro foi parar. E pensei: cadê a mãe desnaturada do bichinho? Ele tá sozinho aqui, piando, piando... coitado! Para meu alívio, a mãe sabiá surgiu, com uma amora no bico. Pensei que ia alimentar o filhote, mas não. 
A mãe sabiá apareceu com uma
amora no bico.
Era só uma isca. Ela chegava bem perto, o sabiazinho ficava todo ouriçado, mas aí ela andava para um lado e para o outro, voava pra cima do muro, parecia que estava conversando com ele num tom gutural, às vezes suave, outras vezes meio nervoso. Na minha cabeça, a tradução era essa: “vem meu filho, vem com a mamãe! Vamos voar... vem, menino, vem, vem, vem!! Já estou ficando impaciente. Acredite, você consegue! Quer uma amora? Olha só como ela está bonita... vem pegar!!!”. E ficou nessa um tempão. Gravei uns 3 minutos deste vai e vem, coloquei no link lá embaixo para quem quiser ver!
Em primeiro plano o filhotinho e ao fundo a mãe sabiá,
que andava de lá para cá, com a amora no bico.
É incrível ver este instinto e inteligência dos animais, a forma como as coisas foram acontecendo – o canto do sabiá, o ninho perfeitamente construído, os filhotinhos nascendo e crescendo, e agora o desafio de voar! E é inevitável pensar nos paralelos com o ciclo de vida da gente – namorar, casar, ter casa, filhos e depois dar um jeito deles “voarem”, deixando o ninho vazio e vivendo suas próprias aventuras pelo mundo afora!

Mas eu pensei também na forma como Deus tem me tratado – com tanto amor e cuidado, mas também me empurrando pra fora do ninho, da minha zona de conforto, e às vezes me fazendo achar que “fiquei sozinha” quando na verdade Ele quer que eu vença meus medos e mexa minhas “asas”.  Gente insegura como eu (e como o sabiazinho) precisa entender que Deus tem prazer em nos ver fazendo aquilo que Ele já nos deu capacidade para fazer. Que Ele se deleita em nosso crescimento e no desenvolvimento dos nossos dons. Que Ele nos encoraja a tomar decisões e parar de ter tanto medo.


Muitas mães são superprotetoras. A mãe sabiá não é não. Até onde acompanhei a história, o filhotinho ainda não tinha voado, mas atravessou a rua (e o meu medo de um carro passar e atropelar aquela coisinha fofa?) e encontrou a mãe do outro lado... que continuava aquela conversa de “vem, vamos voar!”. Nós às vezes não somos apenas superprotetores com filhos, somos com a gente mesmo. Mas Deus não é não. Ele cuida de nós, ao mesmo tempo que insiste: vem, vamos voar?

Nane.

Assista a um pequeno vídeo com cenas da mãe chamando o filho para voar: http://www.youtube.com/watch?v=WsnjZRY77TE&feature=youtu.be

domingo, 10 de novembro de 2013

A primavera entrou na minha casa – parte 2

       Outro dia contei como um sabiá entrou na minha casa, bem no início da primavera, dia 22 de setembro. Eu desconfiava daquele canto insistente no mesmo lugar da casa – a viga do telhado da varanda, um pouco próximo da janela da cozinha. Por ser primavera, imaginei que estivesse mesmo cantando para atrair a fêmea ou demarcar o território. (Se não leu, clique aqui)

Nossa sabiá no ninho, foto tirada
por detrás da porta de vidro, só assim
para ela não fugir!
Não fiquei muito surpresa quando, retornando de uma viagem no início deste mês (novembro), vi o que parecia um ninho bem próximo ao lugar onde o sabiá ficava cantando. E hoje minha suspeita se confirmou: lá está ela (imagino que é a fêmea!) acomodada sobre o ninho, engenhosamente construído numa das vigas do telhado. É lindo imaginar que ela vai botar uns 3 ou 4 ovos e que daqui a duas semanas mais ou menos os filhotinhos vão nascer (já deu para perceber que andei estudando o assunto)!

Uma coisa curiosa sobre o comportamento dos pássaros é que eles parecem sempre assustados. O sabiá percebe quando olho para ele (ou ela) e fica me encarando. Qualquer aproximação é motivo para voar para longe do ninho. Fiquei com vontade de dizer: “tá tudo bem! A casa é sua!”. Desde que não entre pela janela, claro!...


Uma foto mais nítida do ninho
Este comportamento arisco em contraste com minha boa intenção me fez lembrar o nosso relacionamento com Deus. De certa forma, nós aprendemos com a vida a desconfiar das pessoas. Construímos nossos “ninhos” sem muita certeza de que estaremos seguros, e ficamos na defensiva, em estado de alerta, rápidos em julgar os movimentos das pessoas como uma ameaça à nossa tranquilidade. Talvez por este motivo seja difícil para nós nos rendermos completamente, nos “jogando nos braços” do Senhor sem medo ou desconfiança.

Já tem um tempo que eu entendi que Deus tem um grande objetivo com a gente: nos ensinar a confiar nEle. Acredito que inúmeras circunstâncias que Ele nos permite passar tem apenas o propósito de nos desafiar desenvolver esta confiança, afinal a Bíblia fala que sem fé é impossível agradar a Deus. Eu posso até ouvi-lo dizendo: “tá tudo bem, não tenha medo, não fuja, não se esconda! Sou EU e você pode confiar em mim. Você DEVE confiar em mim”. Ou como Ele mesmo falou: "Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais" (Jeremias 29:11).
Nossa linda sabiá, fugindo com medo
de mim, em cima do muro da nossa casa

Já que o sabiá vai continuar com medo de mim, da minha parte espero aprender a viver com um sadio temor a Deus, mas sem fugir dEle, confiando plenamente no seu amor, nos seus planos perfeitos, na sua bondade infinita, na sua graça maravilhosa.

Nane.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Vivendo e aprendendo!

Sei que é um pouco clichê este negócio de “lições que aprendi com a vida...”.
Mas se é verdade o fato de que envelhecer não é garantia de que nos tornamos mais sábios, tem coisas que aprendemos lentamente, e que só o tempo e experiência nos ensinam.

É engraçado que na adolescência a única pressa que eu tinha era de completar 18 anos para tirar carteira. No mais, eu era muito dramática e já aos 14 anos ficava dizendo “ai meu Deus, to ficando velha!”. Morro de rir só de lembrar! Acho que filha caçula carrega eternamente o sentimento de ser “criança”, e mesmo mais tarde quando eu já não era a mais nova da turma (pelo contrário), custei a me acostumar com o avanço da idade. 

Até que completei 40 anos e achei o máximo. Divertido por escutar das pessoas, “nem parece, você nem mudou nada!”. Embora eu saiba perfeitamente que mudei sim, é bem divertido parecer mais nova para os outros. Mas fui repetindo e dizendo a mim mesma que já estava com 40, até me convencer disso (jovens me chamando de “tia” e vendedores de “senhora” ajudaram bastante também!). O drama adolescente de “estou ficando velha” já passou faz tempo, e embora a crise da meia idade seja o que se espera no momento, confesso que estou mesmo é aprendendo a curtir esta fase. E finalmente começo a chegar à idade de colecionar “lições de vida”. Bill Hybells nos encoraja fortemente a começar a escrever nossos próprios “provérbios”, como ele diz, “que fornecem conselho focado ou sabedoria instantânea para suas decisões futuras”[1].

Por isso, resolvi comemorar meus 42 anos com uma listinha de 10 provérbios que aprendi em primeira mão, com a minha própria vida. Você pode aprender com eles, ou pode até se sentir o próprio autor de alguns – e nada se compara quando é algo que entendemos internamente, que poderíamos explicar facilmente e citar muitos exemplos, porque faz parte da nossa experiência, faz realmente sentido pra nós.
Vamos lá?
  1. A vida vai ficando mais difícil.
  2. Desconfie de quem faz muita propaganda de si mesmo.
  3. A noite foi feita para dormir.
  4. Nem tudo o que você pensa deve ser dito.
  5. Não economize oração.
  6. Preciso escolher com cuidado quem vai me influenciar.
  7. Deus me dá a chance de recomeçar todo dia.
  8. A indecisão é o elo fraco da vida.
  9. Não sofra calado.
  10. Deus sempre ouve nosso grito de socorro.

[1] “O grande drama das decisões”, Summit 2008.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Só acaba quando termina

Todos os anos, no mês de outubro, eu escrevo alguma coisa sobre o que chamamos aqui em casa de “outubrite”. O mês em que já estamos cansados e doidos pra entrar de férias. E vamos nos arrastando até o natal...

Neste ano, após várias semanas de “parada obrigatória” por causa de uma cirurgia, eu me sinto bem diferente. Como se estivesse “despertando” de um longo sono e com muita vontade de fazer muitas coisas. Ainda não estou bem para voltar à ativa, então preciso deixar o freio de mão puxado, apesar do pé já estar no acelerador.

Após tantas leituras, reflexões, tempo com Deus, minha mente criativa começou a se encher de ideias e novos projetos. Fiquei pensando nas coisas que tive medo de fazer e que precisava finalmente encará-las. Considerei listar tudo o que eu gostaria de fazer e não tive coragem. Fui viajando na maionese até que um leve puxãozinho me fez lembrar que eu tenho algumas coisas pra terminar antes...

Durante um bom tempo todos os meus e-mails iam com a assinatura “Terminar bem é tão importante quanto começar bem”. Não é um versículo, é uma frase de autor desconhecido, mas que começou a fazer sentido para mim quando percebi tanta gente boa começando bem, mas se perdendo no caminho. Meu ponto aqui era a perseverança. Mas várias pessoas iam interpretando a frase de acordo com seu momento de vida, e uma delas comentou comigo: “percebi que tinha uma situação mal resolvida e entendi que precisava terminar direito”. Bom, acho que agora, para mim, é o que a frase significa.

Entendi que antes de me lançar a novos projetos, preciso dar uma olhada no que ficou pra trás. Todo ano a gente lista as ideias e faz planos (o que é muito bom!), mas vai abandonando muita coisa inacabada pelo caminho. Como diria a mãe de uma amiga, esquece de “amarrar as pontas”. Muitas vezes o primeiro passo para começar algo novo é terminar o que ficou inacabado. Este é meu desafio neste final de ano!

Então minha meta agora é olhar realisticamente para os meus planos pra 2013, e decidir o que vou fazer com cada um deles. O que preciso encarar e concluir. O que preciso reconhecer que não vou concluir este ano. O que preciso abandonar – de forma consciente, objetiva. Pendências sugam nossa energia, que poderia estar sendo canalizada positivamente. Em nossas vidas precisamos aprender a fechar ciclos – no trabalho, em relacionamentos, sempre debaixo da luz de Cristo.

Sei que assim que terminar meu estado de convalescença (que só “acaba quando termina”), vou direcionar meu foco a fim de terminar 2013 de verdade, sem deixar pendências para trás, e quem sabe pronta para encarar novos desafios no próximo ano. Ainda faltam 3 meses, e por mais que o tempo passe rápido, ele pode ser muito bem aproveitado.

Este é o grande privilégio de seguirmos a Jesus: não precisamos provar nada a ninguém, fingir, fugir, tropeçar no escuro ou atropelar as coisas. Somos tão livres para sermos honestos e temos nEle toda força que precisamos para viver do jeito certo, conforme o plano que Ele tem para nós. Não é autoajuda. É ajuda do Alto mesmo. O Espírito Santo é perfeito e sábio para nos ajudar a “passar a limpo” a nossa vida, antes de seguirmos adiante.


E então, vamos nessa?

domingo, 29 de setembro de 2013

Deixa fluir!

Sempre amei as palavras de Jesus à mulher samaritana: “... mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”. João 4:14.

Ele disse também: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. João 7:38

Jesus estava falando de nós, depois de sermos saciados por Ele (o manancial de águas vivas) e cheios do Espírito Santo.

Será que sabemos realmente que existe dentro de nós uma fonte a jorrar? Tão abundante que não apenas sacia a nossa sede, mas é também um transbordar de Deus para outras pessoas? Acho que muitas vezes não nos lembramos disso.

Precisamos aprender a não conter esta fonte. Temos que permitir que a graça de Deus transborde através de nós. Muitas vezes eu acho difícil, especialmente quando não quero me envolver com a pessoa. Sim, tem pessoas em relação às quais me sinto "seca e árida!" E espero que Deus continue trabalhando em mim para que um dia me sinta livre para ser vaso de bênção na vida delas.

Mas há tantas outras com as quais é bem mais fácil, que basta eu aproveitar a oportunidade e deixar fluir! Isso vai acontecer através de uma simples e sincera pergunta: "posso orar por você"? Outras vezes através de uma palavra, do compartilhar de um texto bíblico, ou da última experiência que tivemos com o Senhor. Precisamos ser menos tímidos neste sentido. Precisamos ter coragem de ser mais espirituais sem medo de sermos taxados. Por que sempre preferimos nos "nivelar por baixo"? Jesus deixou o parâmetro pra nós: "uma fonte a jorrar!"

O mundo está sedento. Então se o Espírito te der hoje uma leve "cutucada", não resista: deixa a água fluir!


Nane.

domingo, 22 de setembro de 2013

A primavera entrou na minha casa

Há alguns dias tenho escutado bem de perto o canto forte de um pássaro. É um sabiá, bem comum em nossa terra com palmeiras. Eu tenho o privilégio de morar em um lugar onde posso curtir um pedacinho da natureza e da fauna, sem precisar manter cativo nenhum animal. Além dos saguis que comem na nossa mão, inúmeros pássaros, periquitos, corujas, vem dar o ar da graça por aqui.

Mas desta vez a proximidade do canto tem chamado minha atenção... ontem resolvi procurar e olhei melhor da janela da cozinha e lá estava, sobre a viga do telhado da varanda, bem pertinho. E canta com todo vigor! Não entendo nada de pássaros, mas imaginei que deve estar em busca do seu par ou querendo fazer um ninho por aqui.

Qual não foi minha surpresa hoje quando estava indo para meu escritório e vi um “borrão preto” no chão. Que é isso? Estava meio mole, argh... olhei e vi outros por ali, e quando me virei, lá estava: um sabiá dentro do escritório! Não sei como chegou tão longe... já tivemos que libertar várias vezes os pássaros que inadvertidamente entram no salão de jogos no andar de cima, por causa da vidraça grande e transparente. Sempre têm dificuldade para sair, e temos que abrir tudo e tentar conduzi-los novamente para fora. Quando os pássaros entram aqui, eu quase fico em pânico tanto quanto eles, porque se debatem com desespero a ponto de se machucarem. É muito boa a sensação de libertar estes desavisados.

Desta vez, o sabiá foi longe demais! Não havia nenhuma janela aberta por perto, exceto a da cozinha. Ao perceber que ele tinha deixado várias “marcas” pela sala, inclusive numa poltrona e no sofá, fiquei logo com medo do que teria aprontado no meu escritório. Para o meu alívio, nada... pelo menos até o momento não encontrei nada. Saí abrindo todas as portas e já pensando como ia tirá-lo de dentro do escritório. Não tive trabalho nenhum – ele logo saiu. Depois de algumas revoadas atrapalhadas, achou o caminho de saída para a liberdade. E lá fui eu limpar o rastro do passarinho...

Agora ele voltou (será que é o mesmo?), e continua seu “canto piedade” em si maior, forte e bem perto da janela da minha cozinha. Está chamando tanto minha atenção que, se eu estivesse em Nárnia, pensaria que veio me dar um recado. E acho que deu mesmo o recado: a primavera chegou, e entrou na minha casa... e o resto, fica por conta da imaginação.


Consegui gravar um pouquinho, talvez você não consiga enxergar o sabiá, mas vai escutar o seu canto: http://www.youtube.com/watch?v=h5I1lPHlFiQ&feature=youtu.be

Nane.